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Pisa na Paúra

LENORA DE BARROS
22 . nov . 2017  -  20 . dez . 2017 , Anexo Millan
abertura 21 . nov . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
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A artista visual Lenora de Barros expõe sua produção mais recente, de 22 de novembro a 20 de dezembro de 2017, após uma temporada de pesquisa em Nova York. Pisa na Paúra ocupa o Anexo Millan e examina temas como violência e medo por meio de diferentes suportes, incluindo vídeo, instalação, lambe-lambe e cerâmica.

A palavra “paúra”, que é sinônimo de medo, tem a mesma raiz de “pavor” e de “espanto”: pavere, em latim, significa “estar tomado de pavor ou espanto, estar possuído”. A artista adentra as dimensões etimológicas daquela palavra para engendrar um conjunto de obras inéditas que marca uma nova fase em sua carreira. Ela se lança agora a novos desafios ao dedicar-se ao ofício manual, em especial a cerâmica, pesquisa que levou a cabo durante seis meses no Sculpture Space, em Nova York, nos Estados Unidos.

Na entrada do espaço expositivo, Lenora cobrirá duas grandes paredes (de 6,5 x 11 m) com lambe-lambes com a expressão “pisa na paúra” escrita à mão. O texto repete-se de forma obsessiva e rítmica e sobrepõe-se até quase atingir o estado entrópico. O remate é uma passagem poética e radical da linguagem verbal para o desenho.

No centro da mesma sala, os visitantes serão convidados a pisar nas letras da palavra “paúra”, feitas de argila, que evocam literalmente o sentimento do título da exposição, a ideia de pisar no medo. A cerâmica também surge numa série de pequenas esculturas intitulada Máscaras de Mão (2017), cujo formato e escala se assemelham a luvas de boxe, mas também sugerem rostos desfigurados.

O processo para sua realização partiu de um insight da artista ao explorar a matéria por dentro, seu aspecto visceral. “Essa situação primitiva do barro e como isso poderia se prestar a minha poética me interessam. No início, tinha medo do processo de criar a forma, e esse sentimento me fez resgatar um poema que escrevi em 1972”, conta ela, referindo-se a MEDO DA FORMAAMORFA. A visceralidade já era um elemento recorrente em sua trajetória, mas agora assume caráter mais sensitivo.

Numa linha de pesquisa que se desenvolvia paralelamente e em diálogo com as peças de cerâmica, a artista vinha fazendo experimentos com alvos utilizados em academias de tiro – um elemento incômodo e perturbador num tempo em que a violência se dissemina de maneira assustadora e se volta contra alvos determinados, mas também aleatórios. Durante o processo de pesquisa, Lenora decidiu recolher no lixo de uma academia de tiros em São Paulo alguns exemplares de alvos usados, que serão apresentados na mostra. “Chamou minha atenção a carga de violência contida nessas figuras em ‘decomposição’ após os tiros que receberam – imagens de corpos que nunca viveram, mas morreram de forma violenta”, comenta.

As peças também serviram como ponto de partida para o vídeo Alvos, que foi gravado numa das salas dessa academia, no qual a artista posiciona a figura do alvo no próprio rosto. “O que se destacou nessa imagem é o fato de o ponto que direciona o tiro estar situado em cima da boca. Essa conexão com a língua e a linguagem me interessa”, explica, e complementa: “O intrigante é que essa figura possui uma expressão impávida, cujo significado é justamente o oposto de ‘paúra’”.

Lenora de Barros realizou seus primeiros trabalhos na década de 1970, num campo de pesquisas que privilegiava as relações entre palavra e imagem. Filha do artista Geraldo de Barros (1923-1998), ela conheceu de perto o ambiente do construtivismo paulista. “Cresci nesse meio estimulante interagindo com artistas e poetas, sob a influência do concretismo, da cultura pop e do clima de experimentalismo e transgressão de setores do meio cultural na época em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Tudo isso me influenciou e estimulou o desenvolvimento de meu trabalho, que veio a se encontrar com o ambiente mais amplo da arte contemporânea.”

Décio Pignatari – Na Arte Interessa O Que Não

CURADORIA DE JOÃO BANDEIRA
22 . nov . 2017  -  20 . dez . 2017 , Galeria Millan
abertura 21 . nov . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Deciopignatari_cr_isto

A Galeria Millan recebe, de 22 de novembro a 20 de dezembro de 2017, a exposição Décio Pignatari – Na Arte Interessa O Que Não, com curadoria de João Bandeira. A singularidade da mostra se caracteriza pela apresentação de uma maioria de trabalhos menos conhecidos, incluindo alguns há muito fora de circulação, produzidos entre os anos 1950 até os 2000, sem deixar de fora exemplos dos clássicos da produção de Décio Pignatari, num conjunto de cerca de cinquenta obras.

Também serão exibidos manuscritos e datiloscritos originais, cartas, fotografias e outros documentos, alguns deles jamais vistos publicamente, e ainda material sonoro e audiovisual. A exposição, que ocupa os dois andares da galeria, se propõe a dar um panorama conciso mas multifacetado da produção artística de Décio, que amplia a compreensão de sua obra para além do reconhecimento como um dos fundadores da poesia concreta ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos.

Ao longo de mais de meio século de atuação no meio cultural do país, Décio Pignatari explorou nos seus trabalhos não apenas a dimensão semântica, mas também sonora e principalmente visual da linguagem. Nome-chave da poesia visual no Brasil, ficou conhecido por sua inquietude criativa, sendo também autor de peças de teatro, contos e um romance, sempre com alto grau de experimentação, além de uma série de textos de referência nas áreas da semiótica e da teoria da comunicação.

Parte da sua rica produção artística poderá ser vista na exposição, incluindo originais de época de poemas visuais como Terra (1958) e o icônico Beba Coca-Cola (em versão serigráfica assinada por Décio em 1991), além de obras como Pelé e Agora, da série Poemas Semióticos (1964) e uma tiragem fac-símile de Cr$isto é a Solução (1967) — que o público poderá levar pra casa — que dialogam de perto com o contexto atual do país. Em meio a uma variedade de técnicas e suportes – impressos em offset e em serigrafia, objetos, gravações de áudio e outros – os visitantes terão acesso a dois importantes poemas-livro, Life (1958) e Organismo (1960), disponibilizados em réplicas que poderão ser manipuladas no espaço expositivo.

O curador João Bandeira considera que a obra de Décio Pignatari “é como um continente ainda mal conhecido”. E completa: “o trabalho do Décio ao lado dos irmãos Campos na criação da poesia concreta nos anos 1950 e a discussão sobre isso que ele encampou com eles é, com certeza, uma herança fundamental. Mas a originalidade e a amplitude da produção dele não se esgotam aí. Ele tinha uma coragem de arriscar que eu acho admirável. Além do Décio designer de linguagem naquele padrão suíço mais conhecido, tem também o Décio “udigrudi”, que trocava figurinhas com, por exemplo, Hélio Oiticica ou Júlio Bressane, e que criou com Rogério Duprat o impagável ‘Marda – Movimento de Arregimentação Radical em Defesa da Arte’, pautado pela mais ácida irreverência, de onde saíram roteiros para fotonovelas e coisas como happenings ao som do jingle Brazil, My Mother (de 1970), que, aliás, vai estar também nesta exposição na galeria Millan”.

DAS MÃOS E DO BARRO: JULIA ISÍDREZ, EDILTRUDIS NOGUERA E CAROLINA NOGUERA

CURADORIA/CURATED BY: ARACY AMARAL
02 . set . 2017  -  30 . set . 2017 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 02 . set . 2017, 12h - 16h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 17h
  • Julia01
    Julia Isídrez
    Vasija roja - Pieza con ondulaciones, rostro, patas y cola zoomorfas, 2017
    Cerâmica
    72 x 62 x 62 cm
  • Julia02
    Julia Isídrez
    Figura roja zoomorfa con pico y cuerpo con ondulaciones, 2017
    Cerâmica
    36 x 28 x 28 cm
  • Ediltrudir02
    Ediltrudis Noguera
    Figura pequeña mujer, 2017
    Cerâmica
    63 x 36 x 22 cm
  • Ediltrudir01
    Ediltrudis Noguera
    Figura zoomorfa (equino), 2017
    Cerâmica
    88 x 43 x 67 cm
  • Carolina02
    Carolina Noguera
    Vaso esférico com seis anjos, 2017
    Cerâmica
    32 x 29 cm
  • Carolina01
    Carolina Noguera
    Figura materna, 2017
    Cerâmica
    38 x 31 cm

A Galeria Millan recebe, de 02 a 30 de setembro de 2017, a exposição inédita Das mãos e do barro, com curadoria de Aracy Amaral, co-curadoria do artista Osvaldo Salerno, um dos diretores do Museo del Barro, de Assunção, e participação do teórico Ticio Escobar. A mostra, que ocupa os espaços da Galeria e Anexo Millan, apresenta pela primeira vez em São Paulo a visceralidade presente na tradição centenária da cerâmica paraguaia a partir de um conjunto de 114 obras, realizadas em 2017, das artistas daquele país: Julia Isídrez, Ediltrudis Noguera e Carolina Noguera.

A mostra foi concebida por Aracy Amaral em 2009, por ocasião de sua curadoria na Trienal do Chile, quando a curadora teve um contato mais profundo com as obras dessas três artistas guaranis autodidatas que honram uma tradição centenária, cujas raízes remontam ao período pré-colombiano, em seu país de origem. “Artesãs que laboram diuturnamente, tendo aprendido com suas mães, que por sua vez aprenderam com suas mães, numa cadeia que vem quase desde o período colonial até nossos dias. A mulher amassa o barro úmido, o homem trabalha na cestaria ou na marcenaria”, conta Amaral.

Itá e Tobatí, cidades natais de Julia Isídrez e das irmãs Ediltrudis Noguera e Carolina Noguera respectivamente, são dois reconhecidos centros de produção de cerâmica Guarani, povo que cultiva a tradição das artes do barro, caracterizada pela produção de urnas funerárias e vasos votivos. As peças das paraguaias carregam rastros do dia partilhado entre os afazeres domésticos, os cuidados com os filhos e a casa, onde o trabalho em barro acontece ao lado do fogão e do cômodo em que suas famílias dormem. “Os movimentos do lar mudam e aparece outra dinâmica que interrompe o hábito”, define a escritora Lia Colombino.

As três artistas trabalham com o barro com inaudita personalidade e já se apresentaram em importantes exposições na América Latina e na Europa, incluindo a Documenta 13, de Kassel. Carolina Noguera (Compañia 21 Julio, Tobatí, 1972)  filha da prestigiosa ceramista Mercedes Areco de Noguera, desde criança começou a trabalhar com a mãe, seguindo a tradição hereditária pré-colonial. Aos 17 anos, Carolina tomou um caminho independente, momento em que começa a desenvolver um estilo próprio, marcado por figuras humanas e angelicais, que até hoje caracteriza sua obra. Começou a adquirir notoriedade a partir do documentário Kambuchi, realizado por Miguel Agüero e que estreou em 2011.

Ediltrudis Noguera (Compañia 21 Julio, Tobatí, 1965), assim como sua irmã Carolina, também dedica-se à arte do barro mas sua prática volta-se para os cântaros (vasos para beber de origem greco-romana) de formas zoomorfas ou antropomorfas, apresentando poderosas imagens de touros, de cavalos e de humanos. Recentemente, seu forno doméstico foi substituído por outro maior para cocção de peças maiores. Tem exposto amplamente no Paraguai e no exterior, a exemplo da Trienal de Santiago, Chile. Em fevereiro de 2017, participou de um seminário de artesanato na Cidade de Antígua, na Guatemala, a convite do Setor de Fomento de BANAMEX, Banco Nacional do México, evento que reuniu grandes mestres da Arte Popular Ibero Americana.

Julia Isídrez (Compañia Caaguazu, Cidade de Itá, 1967), filha da artista Juana Maria Rodas (1925-2013) com quem também aprendeu, assim como as irmãs Noguera, o ofício de ceramista. Seu trabalho concentra-se tanto em peças pequenas, ora inspiradas em animais do ambiente doméstico e seu entorno (cobras, tatus, galinhas, patos, pulgas, aranhas, percevejos, escorpiões, etc.); como também escalas maiores que exploram formatos de vasos e urnas. Expõe internacionalmente desde 1976, incluindo a Galeria da UNESCO, Paris, o Centro de Artes Visuais, Museo del Barro, Assunção (1998,1999), Bienal do Mercosul, Porto Alegre (1999), Feira ARCO, Madrid (2007), 35ª Versão da Mostra Internacional de Artesanato Tradicional, Santiago, Chile (2008), Trienal de Santiago, Chile (2009) e a Documenta de Kassel (2013).

Ao reunir pela primeira vez no Brasil um rico conjunto das obras dessas três artistas, Das mãos e do barro traz uma importante reflexão acerca do fenômeno da arte popular paraguaia bem como sua força expressiva que, ao lado das tradições fabril e musical, estão adquirindo novos contornos diante de uma realidade de comunicação global que amplifica sua produção criativa. Trata-se de obras que traduzem “a transformação do utilitário frente ao fenômeno da contaminação globalizante em uma arte que se faz presente hoje, não apenas em exposições locais e no Museu do Barro, como em eventos internacionais e mostras em outros países”, conta Amaral. Por outro lado, também aponta para o dilema de qualquer tradição centenária entre manter-se ou renovar-se que, ao tentar atender a emergência de um mercado sempre ávido pelo novo, corre o risco de desaparecer.

TIAGO MESTRE

NOITE. INEXTINGUÍVEL, INEXPRIMÍVEL NOITE.
12 . jul . 2017  -  12 . ago . 2017 , Galeria Millan
abertura 12 . jul . 2017, 19h - 22h
seg – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
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    Crash
    2017
    cerâmica
    30 x 17 x 16 cm
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    Canaletto
    2017
    guache sobre argila crua
    15 x 12 x 8 cm
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    Árvore
    2017
    argila crua
    70 x 30 x 25 cm

Artista português que vem ganhando destaque na cena artística brasileira, Tiago Mestre expõe, entre 12 de julho e 12 de agosto, pela primeira vez na Galeria Millan. A mostra “Noite. Inextinguível, inexprimível noite.” empresta seu título do poema “Lugar II” do poeta português Herberto Helder (1930-2015) e reúne um conjunto de 60 obras que exploram a questão da forma e do mito do projeto moderno no âmbito da escultura. Materiais como argila, bronze e gesso dão corpo à obras que se posicionam numa constante negociação entre projeto e imprevisibilidade, entre programa e liberdade expressiva.

O conjunto de obras inclui esculturas de diferentes escalas, vídeo, intervenções na arquitetura da galeria e uma grande instalação (elemento paisagístico que organiza toda a exposição). Estes trabalhos remetem aos primeiros intentos humanos de assimilar o natural dentro de um pensamento projetual, mapeando o processo de assimilação da paisagem a partir do intelecto. “A ideia de projeto como pano de fundo, como orquestração de um sistema”, explica Mestre.

Cada uma das esculturas parece evidenciar um fazer sumário, claramente manual, como se estivesse inacabada ou em estado de puro devir, deixando, muitas das vezes, uma filiação ambígua quanto à sua natureza disciplinar. O uso da cor surge pontualmente, não tanto como sistema, mas antes como recurso que acentua, corrige ou esclarece questões pontuais do trabalho. Essa indefinição semântica, ou transversalidade programática é um dos eixos do trabalho. A problematização da capacidade performática de cada uma das obras é tornada evidente (senão parodiada) em situações como a da escultura de dois morros (obra que a dois tempos é escultura paisagística e nicho para outras obras menores).

O vídeo, que se apresentará no andar superior da galeria, coloca-se como uma espécie de síntese geral da mosta. A imaterialidade deste suporte contrasta de maneira decisiva  com o lado predominantemente objetual dos restantes trabalhos. Nele assistimos a uma transmutação lenta, silenciosa e interminável de formas geométricas e orgânicas, numa referência “apática” ao mito da arquitetura brasileira, à sua relação singular com a natureza e a paisagem.

Embora alguns dos procedimentos da arquitetura estejam envolvidos em seu processo — a exemplo dos croquis e as maquetes de estudo — o olhar de Mestre volta-se mais para a percepção da experiência dos corpos no espaço, sejam eles naturais, escultóricos, ou arquitetônicos. Parece ser essa intimidade entre natureza, espaço e forma, que a presente mostra de Mestre propõe desvelar.

RODRIGO ANDRADE

DUAS CAVERNAS
01 . jun . 2017  -  01 . jul . 2017 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 31 . mai . 2017, 19h - 22h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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    Detalhe de Bellini
    2016
    Óleo sobre tela sobre mdf
    60 x 75 cm

Um dos mais importantes pintores da geração 80, Rodrigo Andrade expõe, de 1 de junho a 1 de julho de 2017, sua produção mais recente na Galeria Millan e Anexo Millan. Duas Cavernas contempla as principais vertentes trabalhadas intensamente pelo artista nos últimos meses. Conhecido por sua capacidade de mudar radicalmente o rumo de sua produção, em busca de novos caminhos de pesquisa, Andrade vive um momento de maior síntese, em que os vários percursos trilhados em 33 anos de carreira parecem confluir para uma maior interação. E cria, com essa exposição, uma interessante interface de diálogo com a grande mostra retrospectiva de sua obra, que ocorre no final do ano na Estação Pinacoteca.

Ao todo a mostra reunirá entre 25 e 30 telas, que se organizam em torno de três eixos principais: as paisagens, inspiradas em sua grande maioria por obras clássicas assinadas por mestres como Ruysdael, Uccello e Bellini (que ocuparão o espaço da galeria); as pinturas abstratas, chamadas de Bilaterais, formadas por dois grandes campos cromáticos em equilíbrio (exibidas no anexo); e, como fiel da balança – por trazer questões familiares aos dois grupos anteriores – uma série de trabalhos recentes, apelidados de “figuras binárias".

Essas figuras binárias transitam entre o abstrato e o figurativo e lidam sempre com a ideia do duplo, do reflexo, aspecto bastante presente em toda a produção do artista. Algumas delas remetem ao universo dos cartoons ou a referências da história da arte (é o caso das telas Fera e Princesa, em diálogo evidente com São Jorge e o Dragão, de Uccello, e Bicho e Pedra, depois de Neves Torres, feita a partir de um trabalho do autor citado no título). Outras mais indecifráveis, como a gigantesca pintura mural, de 6 x 11 metros, que Andrade fará numa das paredes do anexo.

As grutas, catacumbas e rochedos, temas pitorescos do século XIX, encantam o artista há tempos e ele vem colecionando imagens do gênero desde 2010 e reelaborando pictoricamente esse motivo, até chegar no estágio atual.  Tanto as cavernas como seus outros trabalhos são corpos volumétricos que se projetam para além do plano e conquistam o espaço. Para lidar com as massas de tinta – num tipo de trabalho que remete às pinturas com formas geométricas feitas por ele nos anos 2000, e que acabaram se tornando uma espécie de assinatura artística – Andrade lança mão de máscaras, moldes cuidadosamente desenhados no processo de recortar.

Desde os primeiros anos, quando seu trabalho e o de outros companheiros – reunidos no ateliê Casa 7 – ganhou projeção ao participar da 18a Bienal de São Paulo, várias foram as mudanças radicais em sua produção. A última delas ocorreu em 2010, quando Andrade – que vinha fazendo um trabalho fortemente abstrato – surpreendeu o circuito com as paisagens negras, imateriais, feitas a partir de registros fotográficos, que mostrou na 29a Bienal (2010). Agora, além de uma enorme vitalidade e de um retorno em busca a uma maior presença da cor e da forma, o artista parece mais disposto a trilhar caminhos paralelos, descobrindo em cada um deles elementos para nutrir sua pesquisa.

 

"RETRATOS"

EXPOSIÇÃO COLETIVA: CURADORIA RAFAEL VOGT MAIA ROSA
13 . mar . 2017  -  08 . abr . 2017 , Galeria Millan
abertura 11 . mar . 2017, 12h - 16h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Tu_8732_91x71_5_2014
    Tunga
    Pitágoras (From La Voie Humide), 2014
    Fotografia
    91 x 71,5 cm
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A Galeria Millan apresenta, entre 11/3 e 8/4, a exposição “Retratos”, com curadoria do crítico de arte e pesquisador Rafael Vogt Maia Rosa. A coletiva reúne 30 obras de artistas brasileiros que, a partir da década de 1960, tomaram o retrato como campo de investigação estética.  

“Esse gênero permitiu aproximações de processos e realidades culturais diversas, tais como a fotografia e a pintura, o universo da arte conceitual e a moda”, afirma o curador. “Foram muitos os artistas nacionais que incursionaram pelo retrato; a seleção realizada valoriza o diálogo entre as obras, incluindo desde trabalhos inéditos de artistas representados pela Galeria Millan até itens raros de acervos particulares, que dificilmente são expostos ao público.”

A lista de participantes traz Wesley Duke Lee, Tunga, Mario Cravo Neto, Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo, Claudio Tozzi, Regina Parra, Lenora de Barros, Maya Luxemburg, Vik Muniz, Sergio Romagnolo, Boi, Rodrigo Andrade, Ana Prata, Gilda Vogt, Otavio Schipper, Tatiana Blass, José Resende, Fernando Zarif, Bob Wolfenson e Janaina Tschäpe.

“A curadoria procurou evidenciar as experimentações realizadas no país através do gênero do retrato, abrindo campo para a experiência dos visitantes, sem impor nenhum tipo de cronologia ou leitura. Celebramos nesta mostra as múltiplas expressões da arte contemporânea brasileira, tendo em perspectiva a formação de público e a percepção do ‘primitivo tecnisado’ em nossa cultura”, conclui Rafael Vogt. 

ARTUR BARRIO E CRISTINA MOTTA

"AGUATÁ - ...... C .....A ...O .... S"
09 . mar . 2017  -  08 . abr . 2017 , Anexo Millan
abertura 08 . mar . 2017, 19h - 22h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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    Cristina Motta
    "Vestígios de Uma Obra", 2016

Pela primeira vez ocupando o Anexo Millan, Artur Barrio Cristina Motta apresentam a mostra "AGUATÁ - ......C .....A ...O ....S", que reúne 40 imagens divididas em três séries: “Vestígios de uma Obra”, “Águas Envenenadas” e “Enfante”. Ao lado das fotografias de Cristina Motta, Artur Barrio apropria-se do espaço expositivo como que transformando-o em ateliê onde cria, poucos dias antes da abertura, uma situação ou experiência inédita.

A produção de Artur Barrio desafia o vocabulário artístico tradicional, de forma que a palavra “exposição” (e seu significado historicamente sedimentado) mal parece se adequar ao que o artista propõe com as ações que realiza em galerias e espaços institucionais pelo mundo. Mais que estender, reduzir ou distorcer a significação corrente de conceitos como espaço expositivo, obra de arte e exposição, Barrio opera a partir de outra lógica, questionando aquilo que está na essência de tais ideias e frustrando deliberadamente as expectativas que nos guiam, enquanto público de arte, ao entrarmos em contato com elas.

Ao reconhecer o modus operandi não só do sistema de arte mas de sistemas em geral, e ao não se identificar com eles, Barrio não se resigna a criar um trabalho que, ao se opor a tais ordenamentos, continue reconhecendo (negativamente) as mesmas questões essenciais; mais que isso, sua poética radical mostra que a desordenação, a quebra de fronteiras, o efêmero e a reversibilidade das situações são “exercícios de liberdade” de forte poder emancipatório.

Enquanto ocupa o longo salão principal do Anexo Millan (inaugurado em 2015 e localizado a 50 metros da Galeria Millan), a fotógrafa Cristina Motta apresenta, no salão de entrada do espaço, cerca de 40 fotografias inéditas produzidas em 2016, divididas em três séries (“Vestígios de uma Obra”, “Águas Envenenadas” e “Enfante”).

Apaixonada pela pintura, a artista busca a essência dessa técnica através da fotografia. Essa devoção é percebida quando atentamos para seus trabalhos fotográficos a princípio quase abstratos, mas que quando vistos com mais atenção mostram-se dotados de grande força poética, originada em suas experimentações com a natureza, luzes, sombras e movimento. Sua obra opera entre a ilusão e o detalhe, na escolha de certos tons de cor, como o azul, que predominam em imagens aparentemente obscuras mas que revelam situações de mundo frágeis e de grande beleza.

BOB WOLFENSON

NÓSOUTROS
01 . fev . 2017  -  24 . fev . 2017 , Anexo Millan
abertura 31 . Jan . 2017, 19h - 22h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • New_york__spring_2013_-70_x_183cm-_harlem
    Nova York, Primavera 2013
    70 x 193 cm
  • Miami__summer_2013_-70_x_229_5cm-
    Miami, Verão 2013
    30 x 95 cm
  • Paris__spring_2014_-70_x_226_5cm-
    Paris, Primavera 2014
    70 x 219,5 cm
  • Marrakech__out_2014_-75_x_230cm-
    Marrakesh, Outubro 2014
    75 x 230 cm
  • Londres_cf020828_4_-70_x_191_5cm-
    Londres, Outono 2012
    30 x 83 cm
  • New_york__spring_2013_-75x_226cm-
    Nova York, Primavera 2013
    75 x 224 cm

NÓSOUTROS

A ideia desta série me ocorreu em 2012, num passeio pela praia de Coney Island, nos arredores de Nova York. Ao iniciar o caminho de volta a Manhattan, observei com interesse uma massa de desconhecidos entre si que aguardavam para atravessar a rua depois de um dia de lazer intenso sob o sol escaldante do verão nova-iorquino. A postura compartilhada de meros pedestres esperando o sinal abrir os tornava semelhantes, ao mesmo tempo que figurinos e tatuagens, anatomia, cor da pele e atitude (euforia ou introspecção) os distinguia. Fotografei-os com minha Leica de pequeno formato e guardei essas imagens como uma simples curiosidade de viajante. Mais tarde, ao revê-las em meu computador, surgiu a vontade de fotografar e organizar cenas como aquela mundo afora, ressaltando um dos mais marcantes paradoxos do ser humano, tão evidente naquele primeiro instante registrado: o de ser igual e diferente, o desejo de pertencer a um grupo e ao mesmo tempo querer se distinguir dele.

A ambição de criar painéis representativos de identidades humanas diversas porém genéricas me levou a vários países e populações. Um ano depois voltei a Coney Island, devidamente equipado com uma câmera de médio formato cuja performance na captura das imagens em alta definição é sua característica principal – suponho e quero que este aspecto permita ao espectador passear os olhos pelas ampliações e ver até o que o fotógrafo não enxerga quando dispara o obturador. Escolhi também fotografar grupos mais singulares, como os judeus ortodoxos de Crown Heights, os afro-americanos do Harlem, ambos em Nova York, bem como executivos engravatados chegando ao trabalho num típico dia de frio do inverno inglês, na City londrina. No mais, a maioria das cenas mostradas aqui foi feita a partir da procura fortuita de lugares onde o afluxo de transeuntes parecesse adequado ao meu intuito. No entanto, ao postar a câmera em um cruzamento e apontá-la para os que vão atravessar a rua, encontrei naturais desconfianças, mas encontrei também: as velozes transformações dos hábitos urbanos, os múltiplos signos da moda e a pluralidade étnica cada vez mais comum na vida contemporânea. Tudo isso emoldurado por recortes nas grandes metrópoles e pela condição climática vigente de cada época e local, a qual determinava a roupa e os humores dos passantes.

O processo de realização das fotografias seguiu princípios rígidos: as tomadas foram sempre feitas em cruzamentos ou faixas de segurança, e as pessoas estavam de fato naqueles lugares, mesmo que não tenham sido fotografadas no mesmo momento em que as que aparecem a seu lado na cópia final. Fiz algumas montagens para ressaltar os pressupostos que me levaram a realizar esta ideia. Por mais racional que seja uma empreitada como esta, o imponderável estará sempre presente enquanto houver o instante fotográfico. Nos anos em que me dediquei a este trabalho, pude perceber claramente que quando se está com uma máquina fotográfica no meio da rua, mesmo que com um tripé e com conceitos específicos em mente, não se pode controlar muita coisa. A rua é viva e nos impõe essa vivacidade.

Bob Wolfenson

GUILHERME GINANE

QUE DIA FELIZ HOJE AINDA VAI SER
27 . Jan . 2017  -  24 . fev . 2017 , Galeria Millan
abertura 26 . Jan . 2017, 19h - 22h
seg - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
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    Vermelhão, 2016 (detalhe)
    Óleo sobre tela
    160 x 134 cm
  • Gg_8637_160x134_2016
    Vermelhão, 2016
    Óleo sobre tela
    160 x 134 cm
  • Gg_8675_120x100_2016
    Azul, 2016
    Óleo sobre tela
    120 x 100 cm
  • Gg_8663_75x56_2016
    Impurezas do Branco, 2016
    Óleo sobre papel
    75 x 56 cm
  • Gg_8662_75x56_2016
    Simpatia pelo Demônio, 2016
    Óleo sobre papel
    75 x 56 cm

Nós diante dela

A primeira pintura de Guilherme Ginane que eu vi representava uma espreguiçadeira sobre (ou dentro de) um fundo cinza. Faz sentido ressaltar a ambivalência entre as duas posições – sobre e dentro –, porque o fundo se confundia com o chão, como nos chamados fundos infinitos dos estúdios fotográficos de publicidade. O único ponto de apoio e referência da perspectiva era a sombra embaixo da espreguiçadeira. E se por um lado essa sombra impedia que a imagem representada se reduzisse à bidimensionalidade da tela, por outro o fundo desnorteava a perspectiva incipiente num trompe-l'oeil claustrofóbico e perturbador, onde o infinito era também parede e chão, ao mesmo tempo transparência e opacidade, cheio e vazio. Não havia nada além da espreguiçadeira e sua sombra, perdidas no espaço. E eu não conseguia tirar os olhos da tela, como se tentasse focar um buraco negro.

Não foi só a espreguiçadeira que me fez pensar, por associação temática, no "Quarto de Dormir em Arles", que Van Gogh pintou para se vingar do repouso – ou, antes, da doença que o deixara de cama naquele quarto. Ginane abandonou a publicidade pela pintura. Se a propaganda foi sua doença, é provável que a pintura seja sua vingança.

O crítico italiano Lionello Venturi escreveu, sobre o "Quarto de Dormir em Arles",  que "Van Gogh (...) queria representar o sono, mas não podia. A aproximação da tragédia desse espírito que dava sinais de desequilíbrio opunha-se ao repouso e ao sono. A calma reina no quarto abandonado, mas trata-se de uma calma sem esperança, nem piedade. (...) É um 'repouso' nascido do desespero."

A perspectiva do quarto de dormir de Van Gogh é múltipla, como se, na falta da figura humana, cada objeto tivesse ganhado direito a um ponto de vista individual e independente; como se coabitassem no mesmo quadro universos ou dimensões paralelas, compondo uma totalidade movediça, ligeiramente deformada pela contradição e pela incompatibilidade entre autonomias fragmentárias.

Os objetos sobre os tampos das mesas de Guilherme Ginane também têm uma existência autônoma e estranhamente inconciliável. Os cigarros, os fósforos, os vasos de flores, os livros etc. se sobrepõem à mesa, que oscila entre fundo e superfície; eles escorrem como tinta pela tela, flutuam sobre a mesa, mais do que descansam nela; disputam com a mesa a prevalência de planos paralelos e perspectivas incompatíveis. Há aí uma luta com a pintura, que tem muito pouco a ver com o repouso.

"Antes, eu brigava muito com o trabalho. Estou ficando mais seguro agora. O plano está mudando, parece uma conquista", Ginane me disse há cerca de um ano. "Uma vez, o Paulo Pasta [de quem ele foi aluno] escreveu que olhar para o chão é um olhar inseguro. Estou começando a olhar para cima e estão aparecendo outros elementos ainda pouco reconhecíveis, lâmpadas e paredes onde antes havia xícaras e tapetes."

A mudança de perspectiva do plano, sua aparente mobilidade, resulta numa metamorfose das coisas: o olhar que antes fixava faixas de tapete nas bordas das mesas agora vê paredes; o que era xícara vai se transformando em lâmpada, no alto do quadro. Ou seja, o plano vai girando, se inclinando sem se inclinar, se inclinando como se fosse ganhar tridimensionalidade, ainda que permaneça plano, e nesse estranho movimento inerte (o plano que gira sem girar) os objetos também vão se transformando. O quadro incorpora mais de uma perspectiva, por vezes perspectivas incompatíveis no mesmo plano, de modo que os objetos se tornam outros, sem deixar de ser os mesmos. Na pintura de Ginane, essa coabitação de planos representa um arco, uma mudança na perspectiva do sujeito que olha (artista e espectador), ela remete a uma experiência no mundo.

A dificuldade de um fundo que é ao mesmo tempo infinito e superfície, representada pela evidência tátil da pincelada, das camadas de tinta sobrepostas, já tinha uma função assertiva e desestabilizadora nos trabalhos anteriores: as figuras em primeiro plano – cadeiras, cigarros, xícaras etc. –, perdidas no espaço, tinham sua perspectiva, sua autonomia tridimensional, contrariada pelo fundo sem profundidade, bidimensional e opaco, no qual acabavam se fundindo. Mesmo depois, quando surgem os tampos de mesa e os tapetes embaixo das mesas, ainda assim os dois planos se confundem, por um efeito telescópico, na mesma superfície. Há uma tensão e uma viscosidade entre as coisas e os planos, simultaneamente diversos e um só.

A dificuldade em todo caso é menos problema do que parte da solução. Ela impõe limites, indica o caminho ao pintor. Quando não tinha dinheiro para comprar tinta a óleo, Ginane passou a trabalhar com carvão e abriu mais uma via poderosa no seu trabalho. Na adolescência, ficou cinco anos sem ir à escola, por conta de uma depressão fóbica, paralisante. "Eu tinha medo do vento", ele diz. Foi a médicos, tentou macumba e terminou no consultório de um psicanalista, onde descobriu a pintura abstrata (tinha descoberto a figurativa com a reprodução de uma bailarina de Degas, na portaria do prédio onde morava com a mãe e o irmão, no Méier).

"Eu era doido para pintar figura humana", diz sobre um limite que até agora foi  essencial ao seu trabalho. Como no "Quarto de Dormir em Arles", suas pinturas são naturezas-mortas onde a ausência conspícua da figura humana, aludida apenas pelo rastro silencioso de cigarros e fósforos, acaba remetendo à presença do olhar, ao espectador.

"A literatura me toca mais do que a arte contemporânea. A arte de projeto se assemelha à propaganda. Para mim, a pintura acontece na pintura. Há uma mudez na pintura, da qual nenhuma palavra dá conta", arremata.

Em contraposição a uma arte cada vez mais retórica, Ginane escolheu nomear sua exposição com uma frase das mais irônicas ("Que Dia Feliz Hoje Ainda Vai Ser"), repetida por uma mulher imóvel, enterrada até o pescoço, em "Dias Felizes", de Beckett, um escritor cuja obra também tende para o silêncio.

A vida está toda nessa ausência, na luta entre os planos, no paradoxo da metamorfose inerte dos objetos e das perspectivas, que transfere o foco para o lugar e o olhar do espectador; nessa qualidade silenciosa, própria da grande pintura, de fazer confundir matéria e antimatéria e de pôr na tela, pela materialidade tátil da tinta, uma dimensão que é ao mesmo tempo visível e invisível e que se desloca sem sair do lugar, como nós diante dela.

Bernardo Carvalho

FELIPE COHEN

OCIDENTE
23 . nov . 2016  -  20 . dez . 2016 , Galeria Millan
abertura 22 . nov . 2016, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • _18a2926
    Sem Título, 2016 (detalhe)
    Confetes
  • _18a1822
    Série Luz Partida #20, 2016
    Pintura sobre madeira
    55 x 49 cm
  • _18a2661
    Vista geral da exposição
  • _18a1819
    Série Luz Partida #2, 2016
    Pintura sobre madeira
    61 x 49 cm
  • _18a1814
    Série Luz Partida #1, 2016
    Pintura sobre madeira
    37 x 37 cm
  • _18a2675
    Vista geral da exposição
  • _18a1845
    Série Luz Partida #3, 2016
    Pintura sobre madeira
    61 x 49 cm
  • _18a2664
    Vista geral da exposição

Em “Ocidente”, a segunda exposição individual que Felipe Cohen (1976) apresenta na Galeria Millan (a primeira, “Lapso”, aconteceu em 2013), o artista paulistano explora o gênero da paisagem a partir de elementos próprios da geometria e da luz.

Na série de trabalhos “Luz Partida”, por exemplo, Cohen pinta triângulos de madeira com medidas regulares combinando-os de forma a construir paisagens elementares constituídas, em sua maioria, por mares, montanhas, sóis e céus. São pinturas “objetuais” que buscam uma relação entre a precisão da geometria e o forte caráter atmosférico das imagens, dado essencialmente pela escolha das cores (azul, marrom, verde, amarelo) e da perspectiva sugerida pelas diagonais dessas peças de madeira com formatos triangulares, quase lúdicas.

Nos outros três trabalhos da exposição, intitulados “Ocaso #3”, “Lago” e “Ocidente”, o artista parte de dispositivos como vitrines e prateleiras para relacionar diferentes materiais (MDF, feltro, vidro) e formas geométricas (círculos, triângulos, retângulos), buscando coincidências com fenômenos naturais da paisagem terrestre.

Por fim, Cohen apresenta uma intervenção no espaço expositivo da galeria, na qual leves e coloridos confetes de papel são perfeitamente encaixados em buracos com sutil profundidade no chão, buscando criar, novamente, uma relação paradoxal entre as ideias de efemeridade e de concretude.

SERVIÇO:
"Ocidente" – Exposição individual de Felipe Cohen.
Abertura: 22 . nov . 2016, terça-feira, 19h – 22h. Galeria Millan.
Visitação: 23 . nov – 20 . dez . 2016, ter – sex, 10h às 19h; sáb, 11h às 18h.

TUNGA

PÁLPEBRAS
18 . out . 2016  -  10 . dez . 2016 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 15 . out . 2016, 12h - 16h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • 2016_10_18_expo_millan_aos_seus_pes_35_fotogabicarrera
    A Seus Pés, 2014 (detalhe)
    Resina, turmalina negra, couro e ferro
    720 x 350 x 500 cm
  • 2016_05_02_galpao_fotogabicarrera
    Sem título (Morfológicas), 2014
    Resina
  • Obra_da_se-rie_morfolo-gicas_-01-low
    Sem título (Morfológicas), 2014
    Resina e ferro
    55 x 47 x 41 cm
  • 2016_05_02_galpao_002_fotogabicarrera_alta
    Sem título (Morfológicas), 2014
    Bronze e ferro
  • 2016_05_02_galpao_019_photo_gabi_carrera
    Sem título (Morfológicas), 2014
    Bronze e ferro
    86 x 70 x 50 cm
  • Phano_tng01low
    Phanógrafo, 2009
    Tecido, madeira, cordoalha de aço, vidro, cristal, pérola, esponja e água cromatizada
    85 x 34 x 31 cm
  • Obra_da_se-rie_-phano-grafos-_-02-low
    Phanógrafo, 2009
    Tecido, madeira, cordoalha de aço, vidro, cristal, pérola, esponja e água cromatizada
    85 x 34 x 31 cm
  • Tu_8533
    Sem título, 2015
    Rede, ferro e resina
    Dimensões variáveis
  • Tu_8509
    Sem título, 2008
    Papel, luvas de algodão, pastel, corais
    20 x 65 x 54 cm
  • 2013_02_15_galpao_175low
    Tunga trabalhando em seu ateliê

Tunga, um dos mais potentes criadores da arte contemporânea brasileira, morreu precocemente em junho passado, aos 64 anos, deixando pronta aquela que seria a sua próxima exposição. A Galeria Millan dá continuidade aos planos do artista e inaugura, no dia 15/10, em seus dois endereços, a mostra "Pálpebras", reunindo um conjunto de trabalhos inéditos ou pouco vistos no Brasil.

Na sede da Millan, além de algumas esculturas da série "Morfológicas", poderão ser vistos os "Phanógrafos", peças derivadas do série "Cooking Crystals" (2010). Pouco exibidas desde então, são caixas que servem como recipiente, ou suporte, para assemblages de diferentes objetos e materiais, como garrafas, cálices, âmbar, pedras ou elementos escatológicos. Objetos que, segundo Tunga escreveu, têm “algo de talismã, se configurando como uma lamparina”.

No Anexo Millan, novo espaço inaugurado em 2015, será exposta a série completa das "Morfológicas", esculturas orgânicas que remetem ao corpo, sensuais, por vezes surreais e muitas vezes eróticas – lembrando vulvas, glandes, línguas, bocas, dedos e seios – que se originaram de outros conjuntos de trabalhos (como a série "From la Voie Humide", de 2014) mas nunca foram mostradas independentemente no Brasil, mesmo que respeitando sua posição um tanto indefinida entre estudo de forma (como indica o próprio título) e obra acabada.

Um desses projetos começou a ser confeccionado em grandes dimensões para a Feira Internacional de Arte Contemporânea (FIAC), em Paris. A peça, intitulada "A Seus Pés", tem sete metros e – como é usual em seu trabalho – é composta por diferentes partes. O elemento central é uma forma roliça e longa, com unhas em cada extremidade, como se fossem dedos que apontam para lados distintos. Um deles está “grávido”, como se gerando as vagens que dele pendem.

"Pálpebras" não é uma tentativa de síntese ou de olhar retrospectivo, mesmo porque, no caso de Tunga, a noção de retrospectiva não faz sentido. Afinal, seu trabalho parece marcado por um retorno cíclico a um manancial de elementos, físicos e psíquicos, que ressurgem de tempos em tempos, transfigurados em diferentes leituras. É como se testemunhássemos, interagíssemos com fragmentos de alguma história ou ação passada, seja pelo caráter instável de seus arranjos, que permitem infinitas possibilidades de reagrupamento, seja pelas várias camadas de leitura que se sobrepõem, criando um hipnótico enigma.

Esses mesmos ecos temporais se fazem sentir nas obras mais recentes. Mesmo que em vários momentos assumam um caráter mais escultórico, os aspectos centrais de seus mais de 40 anos de intensa produção – período no qual Tunga flertou com o surrealismo, se avizinhou da arte conceitual e muitas vezes pareceu agir mais como um xamã ou um cientista – estão novamente presentes.

MIGUEL RIO BRANCO

BARRO
04 . set . 2016  -  01 . out . 2016 , Anexo Millan
abertura 03 . set . 2016, 12h - 16h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Mrb_0816_006_t2
    As Três Graças
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    180 x 90 cm | 60 x 90 (cada)
  • Ma-o_no_barro89_6x75
    Barro
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    100 x 100 cm
  • Mrb_8381_100x150
    Ritmo dos Santos
    Impressão sobre papel Fuji
    100 x 150 cm
  • Mrb_8686_160x180
    Timbó
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    200 x 210 cm | 12 imagens 50 x 70 cm (cada)
  • Amamentando105x90_5
    Maternidade (detalhe)
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    150 x 100 cm
  • Mrb_8379_175x90
    Cumaru
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    175 x 90 cm
  • Mrb_8390_80x240
    O Raio e a Pomba
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    240 x 80 cm
  • Mrb_8388_60x90
    Preparando para a Caçada
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    60 x 90 cm
  • Mrb_8393_60x270
    A Queda do Braço
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    60 x 270 cm
  • Convite_flow
    A Mão e a Chaga
    Impressão em jato de tintas pigmentadas sobre papel baryta
    80 x 106 cm

O Anexo Millan tem o prazer de apresentar “Barro”, a nova individual do artista visual Miguel Rio Branco, um dos mais destacados fotógrafos brasileiros do cenário contemporâneo e o único a integrar a agência de fotografia Magnum, fundada por Cartier-Bresson e Robert Capa em 1947. A mostra no Anexo Millan, com abertura marcada para 03/09, sábado, das 12h às 16h, reúne cerca de 24 trabalhos de Rio Branco realizados do início da década de 1980 até recentemente. “Minhas novidades são feitas com coisas velhas”, costuma dizer o artista.

Entre os highlights da mostra estão imagens de índios caiapós feitas na aldeia de Gorotire, no sul do Pará, ao longo da década de 1980. Muitos desses registros aparecem também no curta-metragem “Sob as estrelas, as cinzas”, de 14 minutos de duração, que será projetado em looping em uma sala no Anexo. Uma curiosidade: uma das mais belas fotografias tiradas em Gorotire e agora apresentada na exposição, trazendo dois índios com ornamentos de penas vermelhas correndo durante um ritual típico, havia aparecido anteriormente na capa do disco “The Rhythm of the Saints” (1990), do músico norte-americano Paul Simon.

Há também, em “Barro”, imagens de mineradores feitas durante a passagem de Miguel por Serra Pelada, também no Pará; outras de elementos barrocos e de azulejos de tradição portuguesa; e outras, ainda, de paisagens impactantes e devastadas por queimadas. O impressionante políptico “Barro”, que batiza a exposição e que nunca havia sido apresentado no Brasil, combina com maestria elementos e cenários que conversam com as fotografias espalhadas pela individual. Quem adentra a primeira sala do Anexo Millan, com seu pé-direito de quase sete metros, é, de imediato, surpreendido pela força dessa obra e sua incrível combinação de 18 imagens.

TATIANA BLASS | REGINA PARRA

INDIVIDUAIS
22 . jul . 2016  -  20 . ago . 2016 , Anexo Millan e Galeria Millan
abertura 21 . jul . 2016, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • _18a2836
    Tatiana Blass
    Bocejo, 2016
    Videoinstalação, 1'30"
  • _18a2328
    Regina Parra
    Por Que Tremes, Mulher?, 2016
    Óleo e cera sobre papel
    33 x 46 cm
  • Tb_8219_50x70_2015
    Tatiana Blass
    Sala Laranja, 2015
    Guache sobre algodão
    50 x 70 cm
  • Rp_8298_28x42_2016
    Regina Parra
    Aquele que Grita, 2016
    Óleo e cera sobre papel
    28 x 42 cm
  • Tb_8214_24x32_2015
    Tatiana Blass
    Borkman #6, 2015
    Guache sobre papel
    24 x 32 cm
  • Rp_8303_8x125_8x100_2016
    Regina Parra
    Manter-se/Tornar-se, 2016
    Luminoso em néon
    8 x 125 cm/ 8 x 100 cm
  • Tb_8328_21x30_2016
    Tatiana Blass
    Sala Azul #3, 2016
    Guache sobre papel
    21 x 30 cm
  • _18a2333
    Regina Parra
    Virar Homem ou Desaparecer, 2016
    Óleo e cera sobre papel
    60 x 40 cm
  • Tb_8220_40x50_2016
    Tatiana Blass
    Holofotes, 2016
    Guache sobre linho
    40 x 50 cm
  • Rp_8299_28x42_2016
    Regina Parra
    Aquele que Grita II, 2016
    Óleo e cera sobre papel
    28 x 42 cm
A Galeria Millan abre simultaneamente duas novas individuais em seus espaços, no dia 21/07 (quinta-feira), a partir das 19h: "A Desprofissão", de Tatiana Blass (Anexo Millan), e "Por Que Tremes, Mulher?", de Regina Parra (Galeria Millan).
 
Tatiana Blass apresenta, na individual "A Desprofissão", novas séries de pinturas em guache e vídeos (como a videoinstalação "Bocejo", levada à ARCOmadrid 2016), alguns deles inéditos. A nova individual marca também o lançamento de um livro dedicado à carreira da artista, no dia 06/08 ("Tatiana Blass", Ed. Automática). Nessa mesma data, às 11h30, acontecerá no Anexo Millan uma conversa entre José Augusto Ribeiro e Tatiana Blass.
 
Já Regina Parra, em sua primeira exposição individual na Galeria Millan, intitulada “Por Que Tremes, Mulher?” e com curadoria de Moacir dos Anjos, reúne nove pinturas, uma série de desenhos, instalações e um vídeo. Os novos trabalhos refletem uma espécie de “arqueologia da violência”. Não a brutalidade que ganha destaque da mídia diariamente, mas aquela que, muitas vezes, está por trás dela: a violência velada nas relações do dia-a-dia, seja hoje, seja na época da escravidão. Um bate-papo entre Regina Parra e o curador Moacir dos Anjos acontece na Galeria Millan, em 23/07 (sábado), às 11h30.
Sandra Antunes Ramos

INDIVIDUAL
22 . jun . 2016  -  08 . jul . 2016 , Galeria Millan
abertura 21 . jun . 2016, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Sr_8184_9x14_2015
    "Sem Título", 2016
    Colagem, papel vegetal, papel manteiga, tinta, caneta ponta fina e caneta hidrocor
    9 x 14 cm
  • Sr_8278_20x20_2015
    "Sem Título", 2015
    Colagem, tinta, lápis de cor, papel vegetal, caneta hidrocor e caneta metalizada
    20 x 20 cm
  • Sr_8255_20x20_2015
    "Sem Título", 2015
    Colagem, tinta, lápis de cor, papel vegetal, caneta hidrocor e caneta metalizada
    20 x 20 cm
  • Sr_8236_12x12_2013
    "Sem Título", 2013
    Lápis de cor e caneta metalizada
    12 x 12 cm
  • Sr_8248_28x35_5_2014
    "Sem Título", 2016
    Colagem, lápis de cor, papel vegetal, papel metalizado e caneta metalizada
    28 x 35,5 cm
  • Sr_8244_12x12_2013
    "Sem Título", 2013
    Lápis de cor e caneta metalizada
    12 x 12 cm
  • Sr_8246_28x35_5_2016
    "Sem Título", 2016
    Colagem, lápis de cor, papel vegetal, papel metalizado e caneta metalizada
    28 x 35,5 cm
Em sua segunda exposição individual, Sandra Antunes Ramos apresenta, a partir de terça-feira (21/06), na Galeria Millan, quatro conjuntos de novos trabalhos, distribuídos entre o atrium da galeria, a sala principal e o corredor. São novas séries de desenhos, colagens inéditas, e também esculturas – espécies de “desenhos tridimensionalizados”, saltando do papel e adquirindo volume e geografia próprios -, feitas em latão com pintura automotiva.
 
Composta por cerca de 70 novas obras, a exposição, que leva o nome da artista paulista, é uma evolução do trabalho minucioso e diário que Sandra vem desenvolvendo há alguns anos. A escolha do lápis de cor e da caneta – metalizada ou hidrográfica - como principais ferramentas, além da prática da colagem, tem uma razão: “Enquanto o pincel segue a escala do braço, do corpo, o lápis vem da escala da própria mão. E o conceito de todo o trabalho vem dessa escala frágil, sutil e detalhada, que permite impulsividade”, explica Sandra.
 
A consequência dessa prática são novas séries de trabalhos de pequena escala (os maiores têm, no máximo, 28 x 35,5 cm), obsessivos e ao mesmo tempo delicados.
VRIDO | Alguém sonhando longe daqui

DUDI MAIA ROSA | FERNANDO LEMOS
17 . mai . 2016  -  11 . jun . 2016 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 14 . mai . 2016, 12h - 16h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Fl_7935_40x40_1949_52
    Fernando Lemos
    Eu poeta - Autorretrato, 1949/52
    Gelatina e prata
    40 x 40 cm
  • Dudimaiarosanwslttr
    Dudi Maia Rosa
    Sem título, 2016
    Resina poliéster pigmentada e fibra de vidro
    126 x 125 cm
  • _mg_1363
    Dudi Maia Rosa
    2016
    Galeria Millan
  • Fl_8004_22x32_1_1955
    Fernando Lemos
    Sem título, 1955
    Nanquim sobre papel
    22 x 32,1 cm
  • Dudimrlow
    Dudi Maia Rosa
    Sem título, 2016
    Resina poliéster pigmentada e fibra de vidro
    36,5 x 45 cm
  • _mg_0682cut
    Dudi Maia Rosa
    Sem título, 2016
    Resina poliéster pigmentada e fibra de vidro
    110 x 210 cm
  • Fl_7970_100x100_2015
    Fernando Lemos
    Sem título - Série Sonos, Dormires, Despertares, 2015
    Impressão com pigmentos minerais sobre tela
    100 x 100 cm
  • Fl_7945_40x40_1949_52
    Fernando Lemos
    Espera, 1949/52
    Gelatina e prata
    40 x 40 cm
  • Folder_06low1
    Dudi Maia Rosa
    Sem título, 2016
    Resina poliéster pigmentada e fibra de vidro
    18 x 21,3 cm
  • Fl_8007_27_9x43_3_2006
    Fernando Lemos
    Sem título - Série Coreografias, 2006
    Nanquim sobre papel
    27,9 x 43,3 cm

A Galeria Millan abre simultaneamente duas novas individuais em seus espaços, no dia 14/5 (sábado): "VRIDO", de Dudi Maia Rosa (Galeria Millan), e "Alguém sonhando longe daqui", de Fernando Lemos (Anexo Millan).

As cerca de 50 obras inéditas, em dimensões variadas, que compõem "VRIDO", nome da nova exposição individual de Dudi Maia Rosa na Galeria Millan, são feitas em resina poliéster pigmentada, procedimento sobre o qual a produção do artista vem se debruçando há algumas décadas e que, nesta mostra, dá origem a novas “famílias” de trabalhos, algumas das quais “homenageiam” (nas palavras do crítico Rodrigo Naves, que assina o texto que acompanha a mostra) o artista Sergio Camargo. Os trabalhos lançam mão de superfícies enervadas por formas pontiagudas, que ora recuam, ora avançam umas contra as outras e em diferentes direções.

A exposição "Alguém sonhando longe daqui", de Fernando Lemos, é uma realização conjunta das galerias Millan e FASS, com curadoria de Paulo Miyada, e ocupa o novo Anexo Millan. Além de celebrar os 90 anos do artista português, a individual marca o lançamento do livro "O Real Como Enigma", com 42 imagens da mostra e textos de Annateresa Fabris, Leonor Nazaré, Maria Teresa Guimarães de Lemos e do próprio Fernando Lemos. A individual foi dividida em três conjuntos de obras: o primeiro é uma seleção de 21 fotografias que Lemos realizou entre 1949 e 1952, quando, em Lisboa, esteve conectado com o círculo surrealista português. O segundo é um grupo de 20 novas obras realizadas entre 2015 e 2016, desenhos em preto e branco ampliados fotograficamente sobre telas de 1 x 1 metro. E o terceiro conjunto traz mais de 30 desenhos feitos ao longo dos 65 anos de carreira do artista.

Emmanuel Nassar | Henrique Oliveira

INDIVIDUAIS
02 . abr . 2016  -  30 . abr . 2016 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 31 . mar . 2016, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • _h5a1228a
    Emmanuel Nassar
    Galeria Millan, 2016
  • Gv_2015-enrique_oliviera-013
    Henrique Oliveira
    Fissura, 2015
    Técnica mista [instalação]
    Dimensões variáveis
  • _h5a4159
    Emmanuel Nassar
    Lamparinas, 2016
    Acrílica sobre tela
    130 x 180 cm
  • _h5a4310
    Henrique Oliveira
    Pau-osso, 2016
    Galho de árvore, arame, papelão, madeira compensada e cola
    180 x 60 x 60 cm
  • _h5a1238
    Emmanuel Nassar
    Sustentável, 2016
    Acrílica sobre tela, madeira e ferro
    150 x 200 cm
  • _h5a4352
    Henrique Oliveira
    EXLP7, 2016
    Óleo, papelão, arame e cola sobre tela
    50 x 33 cm
  • _h5a1254
    Emmanuel Nassar
    Peixe, 2016
    Pintura sobre metal, madeira e grelha de ferro
    33 x 68 cm
  • _h5a4351
    Henrique Oliveira
    EXLP6, 2016
    Óleo, papelão e cola sobre tela
    40 x 30 cm
  • _h5a1266
    Emmanuel Nassar
    Lata, 2015
    Pintura sobre chapa metálica e madeira
    53 x 40 cm
  • Hoam1
    Henrique Oliveira
    Anexo Millan, 2016

A Galeria Millan abre simultaneamente duas novas individuais em seus espaços, no dia 31/3 (quinta-feira): Emmanuel Nassar (Galeria Millan) e Henrique Oliveira (Anexo Millan).

Emmanuel Nassar recria, no espaço original da galeria, uma espécie de jogo no qual mescla trabalhos de diferentes épocas e em diferentes suportes, potencializando algumas das questões que há tempos movem sua investigação. Profundamente irônico e avesso às classificações de sua obra a partir de critérios como data, técnica ou até mesmo autoria, o artista paraense – que se divide atualmente entre São Paulo e Belém – decidiu transformar a maior parede da galeria em estrutura para uma grande e ritmada colagem, composta por elementos diversificados. Trata-se de uma referência direta ao processo de trabalho do artista, que absorve, recria e reconstrói elementos do seu cotidiano, lançando mão de diferentes técnicas e estilos compositivos. Nassar ocupa também o primeiro andar da galeria, com telas, chapas metálicas e uma escultura.

Henrique Oliveira, por sua vez, apresenta no recém-inaugurado Anexo Millan uma seleção de suas criações mais recentes, entre pinturas, esculturas e uma instalação, mostrando os novos desdobramentos de suas pesquisas. Dez anos depois de sua primeira exposição individual em galeria, o artista continua demonstrando grande versatilidade, explorando simultaneamente diferentes técnicas e caminhos e dedicando-se simultaneamente à pintura, à escultura e à instalação, com grande repercussão nacional e internacional. Há, no entanto, em seus trabalhos mais recentes, algumas mudanças sutis, mas impactantes, que levam a uma maior sintonia entre os caminhos trilhados por ele. Ao invés de pertencerem a dois campos completamente distintos, nota-se a aproximação entre as linguagens bidimensionais e tridimensionais, e uma maior integração entre esses universos. Suas pinturas mais recentes, por exemplo, parecem aproximar-se dos tons de terra e rosa que dominam suas célebres instalações feitas de restos de tapumes usados pela construção civil. Ou então conversam com seus "quadros-esculturas" feitos com madeira compensada, trazendo uma fatura espessa e tons que remetem aos materiais usados em suas instalações mais famosas.

iTa LíTica Barroca

NIURA BELLAVINHA
26 . fev . 2016  -  19 . mar . 2016 , Galeria Millan
abertura 25 . fev . 2016, 19h - 22h
ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Casa_nha-nha-_cortada
  • Frame____07
  • Articulado_nha-nha-___
  • Frame____05_nha-nha-_casa__
  • Frame___2014_nhanha-_1883
  • Frame____10_luz_diagonal_
  • Sem_ti-tulo_2

***VISITA GUIADA com Niura Bellavinha: sábado (19/3), às 11h30, na Galeria Millan.
A exposição “iTa LíTica Barroca”, que abre dia 25/2, quinta-feira, na Galeria Millan, traz a São Paulo o primeiro filme - um média-metragem - realizado pela pintora mineira Niura Bellavinha. Intitulado “NháNhá”, o trabalho é o foco central da nova individual da artista ganha uma projeção na parede do espaço tradicional da galeria.
Com roteiro e direção de Niura, e realizado pela artista junto ao curador Alberto Saraiva, “NháNhá” coloca às vistas do observador a pintura em processo de Niura Bellavinha. Rodada no interior do Brasil, mais especificamente em Minas Gerais, esta obra volta a explorar situações onde o ar torna-se o suporte do pigmento - no caso, a poeira - enquanto pigmento seco, que, junto à luz, transforma-se em pintura efêmera, poética e trágica.
A exposição é composta, ainda, por um conjunto de obras que envolve desde matérias aéreas, como a poeira e os meteoritos, até as pedras-sabão usadas nas esculturas de Aleijadinho e também originárias de Minas Gerais. Niura recria as conexões com os materiais e matérias do barroco, além de atualizar esse estilo com um olhar contundente sobre sua forma e formação.
São apresentadas fotografias (“Articulados”), pinturas sobre telas e desenhos, nos quais a tinta utilizada foi produzida no ateliê da artista a partir de pigmentos oriundos do solo e de pedras de várias regiões de Minas Gerais, como Itabira, Ouro Preto, Mariana, Ferros, Passárgada e Jequitinhonha.

Acervo no novo Anexo Millan

COLETIVA
12 . Jan . 2016  -  15 . mar . 2016 , Anexo Millan

ter - sex, 10h - 19h; sáb, 11h - 18h
  • Afonsotostesanexo
  • Lenora_low
  • 3
  • Tb_6130_120x50x30cm_2013
  • Tu_7119
JOSÉ RESENDE | RODRIGO BIVAR | ANNA MARIA MAIOLINO
LENORA DE BARROS | MIGUEL RIO BRANCO | AFONSO TOSTES
TATIANA BLASS | NELSON FELIX | ARTUR BARRIO | TUNGA
PAULO PASTA | DUDI MAIA ROSA | EMMANUEL NASSAR
Galeria Millan na Art Basel Miami Beach | BOOTH C16

03 . dez . 2015  -  06 . dez . 2015
abertura 02 . dez . 2015, 11h - 19h
  • Teste_tu
  • Mrb_7489_100x100cada
  • 7261_jr_180_x_46_x_16_dec90
  • Fc_5203_5_5x45_8x20_2012
  • Trp_7508_2015
  • Ra_7612_20x25cm_2015


ARTUR BARRIO | FELIPE COHEN | HENRIQUE OLIVEIRA 

JOSÉ RESENDE | MIGUEL RIO BRANCO | RODRIGO ANDRADE

TATIANA BLASS  | THIAGO ROCHA PITTA | TUNGA

Há um fora dentro da gente e fora da gente um dentro

PAULO PASTA
13 . nov . 2015  -  19 . dez . 2015 , Galeria Millan e Anexo Millan
abertura 12 . nov . 2015, 19h - 23h
ter – sex, 10h – 19h; sáb, 11h – 18h
  • Testesite
    Sem título, 2015
    Óleo sobre papel
    150 x 206 cm
  • Pp_7636_250x300
    Intermezzo, 2015
    Óleo sobre tela
    240 x 300 cm
  • _mg_1547
    Sem título, 2014
    Óleo sobre papel
    50 x 65 cm
  • _h5a1264
    Sem título, 2015
    Óleo sobre papel
    150 x 196 cm
  • Pp_7635_250x300
    Sem título, 2014
    Óleo sobre tela
    240 x 300 cm

A partir do dia 12 de novembro, quinta-feira, a Galeria Millan apresenta a nova exposição individual de Paulo Pasta. Intitulada Há um fora dentro da gente e fora da gente um dentro, verso do poeta Francisco Alvim, a mostra marca a inauguração do novo espaço da Galeria: o Anexo Millan. A exposição ocupará simultaneamente os dois endereços da Millan na cidade. No espaço tradicional da galeria serão expostas telas abstratas, marcadas por uma intensa e ambígua atmosfera cromática e refinada estrutura geométrica, que são responsáveis por seu inquestionável protagonismo na pintura contemporânea brasileira. Mas junto delas será possível ver uma das paisagens produzidas recentemente pelo artista tomando como ponto de partida o entorno de sua cidade natal, Ariranha. No Anexo Millan, situado a poucos metros de distância da galeria, o mesmo processo de fricção estará presente no bloco expositivo. Dedicado às paisagens, o novo espaço abrigará ainda uma enorme pintura feita na parede. Na abertura, será lançado também o livro Fábula da Paisagem, com 28 paisagens do artista. A mostra fica em cartaz até 19 de dezembro.

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